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A Caminhada – 6º Setênio (35- 42 anos)

Estamos no sexto setênio, marcado pelo período entre os 35 e 42 anos.

O arquétipo desse setênio é o cavaleiro que anda ao lado do seu cavalo, demonstrando mais equilíbrio entre a razão e a emoção. A caminhada agora permite olharmos para uma parte da história já vivida.

Contemplamos o passado buscando identificar aprendizados para o presente e o futuro. Entramos em contato com a nossa bagagem interna e, com isso, uma nova pergunta emerge:

O que eu deixo e o que eu levo para a minha jornada daqui para frente?

Pensando que a vida é uma grande viagem, nesse momento estamos como andarilhos. Esse período nos convida para uma parada, a fim de sentirmos o que queremos de agora em diante.

Esse querer tem a ver com algo muito profundo em nós. Sim, é a nossa essência pulsando, querendo buscar o que realmente faz sentido, transcendendo os “tem que”, as escolhas, os papéis que foram construídos, seguidos e mantidos durante a vida e que talvez não nos caibam mais.

Cresce uma necessidade de viver de forma coerente com o que se acredita internamente. Questões existenciais se intensificam, uma vez que, após passarmos por algumas fases com mais foco no externo e no Ter, nosso Ser pede por mais espaço dentro de nós, para nos guiar até o nosso propósito.

Por volta dos 37 anos, a nossa missão de vida vai ganhando ainda mais clareza e potência. É comum que haja rupturas nesse período, seja na esfera pessoal, seja na profissional, já que aquilo que fez sentido até o momento, talvez já não faça mais. Por outro lado, devido a um caminho já construído, a resistência a novos desafios pode surgir.

Poderemos então fluir ou resistir, mas certamente, nesse setênio, seremos levados a olhar e a ouvir o que está dentro. Certos incômodos podem surgir, já que esse mergulho interno exige coragem, ou seja, agir com o coração para seguir uma nova trilha interna e/ou externa, norteada por novos valores.

Pode-se vivenciar durante este setênio a “crise de autenticidade”, processo que ganhará mais força aos 42 anos. Se olharmos a crise como um ponto de transição e desenvolvimento, há aqui um grande desejo de liberdade, autenticidade em relação a si mesmo e às próprias escolhas.

Jung diz: “Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos.”

Essa fala reforça, para mim, o quanto o autoconhecimento vai se tornando cada vez mais necessário para vivermos em conexão com quem genuinamente somos.

Andressa Pereira Miiashiro.

Psicoterapeuta, orientadora de carreira e vocacional.

*Artigo publicado no Blog da Antroposofia ZN em Abril de 2019.

Tempo para Ser

Há períodos em nossa biografia durante os quais realmente estamos mais inclinados à energia material, dedicando nosso tempo a ter mais bens, diplomas, prestígio e status. No 5º setênio, especificamente por volta dos 30 aos 33 anos, começamos um despertar para novas possibilidades de realizações, cuja fonte não é mais só externa, e sim interna.

Emerge a biografia do ser, um desabrochar para um campo mais sutil, trazendo mais profundidade para as experiências e um desejo por mais qualidade naquilo que é vivido. As relações consigo e com os outros começam a ganhar também uma nova importância.

É comum nessa fase passar por acontecimentos marcantes que podem se dar pelo encontro com pessoas, obras literárias, peças artísticas e até mesmo através de uma situação de crise ou doença, que vêm na verdade com o propósito de mostrar um caminho para o autodesenvolvimento, em que os valores comecem a ser profundamente revistos.

As reflexões se fazem necessárias

No 6º setênio, dos 35 aos 42 anos, o Ser ganha ainda mais potência e nos convida a refletir e a sentir sobre:

Quem eu sou realmente?

Qual é o sentido da vida?

Estou a caminho da minha missão?

Vale a pena dar duro assim?

O que faço é coerente com os meus valores?

Nesse setênio, encontramos a crise da autenticidade e somos apresentados à seguinte questão:

Você quer ser ou ter?

Isso me faz lembrar de uma entrevista na qual Pepe Mujica fala sobre o excesso de consumo:

“Quando compramos algo, não compramos com dinheiro e sim com tempo de vida!”

Mujica acrescenta: “se virarmos máquinas de produzir, consumir e pagar contas, quando percebermos a vida vai ter ido embora. Não é uma apologia à pobreza e sim à sobriedade.”

E já que estamos falando em sobriedade, fico pensando o quanto estamos de fato sóbrios diante das nossas escolhas, atentos e ouvindo genuinamente o nosso Ser, aquela parte em nós que talvez queira correr menos e ter mais tempo…

Tempo para cultivar afetos, como disse Mujica, tempo para contemplar, tempo para respirar, tempo para Ser…

Andressa Pereira Miiashiro.

Psicoterapeuta, orientadora de carreira e vocacional.

*Artigo publicado no Blog da Antroposofia ZN em Março de 2019.