A fase racional e a carreira – 5º Setênio (28- 35 anos)
O 5º setênio é marcado pelo período dos 28 aos 35 anos.
As emoções já não nos assolam tanto com atos impulsivos, como no setênio anterior, representado pelo arquétipo do centauro. Nesse setênio, o centauro se transforma em um cavaleiro, comandando mais as rédeas de suas emoções.
A razão começa a dominar mais os impulsos, agora é possível ponderar melhor as tomadas de decisões. O desafio aqui é desenvolver tolerância e interesse pelos outros, ao mesmo tempo em que se vive o auge da ambição, do desejo por status e prestígio, conciliando assim a busca do próprio espaço com o respeito ao espaço do outro.
Estamos em uma fase da vida que, para muitos, é permeada por realizações e conquistas. As competências de organização e planejamento estão bem fortalecidas e poderão contribuir muito para galgar novas posições na carreira.
O gerenciamento de pessoas, contudo, ainda demanda algumas lapidações, já que a segurança interior possui forte alicerce no conhecimento técnico, o que gera um conflito entre delegar responsabilidades reais ou apenas tarefas, de forma a, até de maneira inconsciente, manter o controle para si.
Há um grande espaço para transcender a posição daquele que conquista resultados a partir das próprias ideias, em direção à abertura ao outro através da escuta, propiciando, na condição de líder, espaços mais participativos, com soluções construídas e não impostas.
O Autodesenvolvimento
Com o amadurecimento das habilidades sociais, o profissional começa a envolver mais as pessoas em seus processos decisórios. Saber como falar, ouvir genuinamente, perceber o que está por trás e nas entrelinhas das situações fazem parte do autodesenvolvimento desta fase.
Inicia-se também a diferenciação entre Ter e Ser. Sendo a dimensão do Ter mais voltada para status, prestígio, construção e aquisição de “coisas”, a dimensão do Ser é mais ligada ao sutil, à espiritualidade e à qualidade das relações consigo e com o outro. Conquistar o equilíbrio entre essas duas dimensões propicia ao indivíduo uma atuação mais congruente e decisões mais sustentáveis.
O caminho pela busca do autoconhecimento começa a ficar mais forte. Emerge um desejo maior de compreender, por exemplo:
Por que reajo de determinada maneira diante das situações?
Qual meu papel nos espaços em que estou inserido?
Quais são meus valores?
Aproximadamente dos 30 aos 33 anos, vivenciamos uma intensa revisão interna, um convite a reconhecer o que precisa ser deixado para que um novo possa surgir. É comum nesse período experimentarmos eventos marcantes que nos fazem olhar a vida com mais profundidade e através de uma lente mais sutil.
Andressa Pereira Miiashiro.
Psicoterapeuta, orientadora de carreira e vocacional.
*Artigo publicado no Blog da Antroposofia ZN em Janeiro de 2019.
