Missão de vida e carreira. 6º setênio (35-42 anos)

Pela antroposofia o 6º setênio é definido pelo ciclo dos 35 aos 42 anos.

Já escrevi sobre este setênio e outros aqui no blog, agora vou aprofundar um pouco mais, sobre este período da vida e carreira. Em processos de orientação de carreira, costumo atender muitas pessoas nesta faixa etária, e é muito comum pois é uma fase bem propicia para transformações.

Gudrun, traz a seguinte metáfora, dos 21 aos 28 anos, preparamos o terreno para a construção da base profissional, dos 28 aos 35, colocamos os fundamentos e as paredes são erguidas e dos 35 aos 42, o teto é colocado com conexão com aquilo que é superior, com aquilo que toca realmente a nossa alma, o nosso coração…

A passagem dos 35 aos 42 anos, encontra um espelhamento de como foi vivido os 0 aos 7 anos, quanto mais saudável, com calor e afeto pode-se vivenciar o 1º setênio, mais liberdade interior encontramos no 6º setênio. O que trilhamos em nossa biografia, certamente impacta nossas escolhas e nosso jeito de ser em nosso papel profissional.

Temos a grande oportunidade, por volta dos 37 anos, vivenciarmos o segundo nodo lunar, tempo em que ficamos mais sensíveis e abertos ao Cosmo. Quando estamos receptivos… a missão de vida vai ganhando mais clareza e para vivê-la é essencial estarmos em estado de abertura para os novos desafios e nos atentarmos também a tendência em nos acomodar e segurar o que já foi conquistado. Ajustes no caminho podem se fazer presente, para que o propósito maior do eu se manifeste no mundo.

A “crise de autenticidade”, pode ser sentida neste momento e ser potencializada aos 42 anos, época em que somos chamados a ser quem viemos ser e fazer o que sentimos que devemos fazer. Sentimos uma maior necessidade de liberdade, que profissionalmente pode-se dar através de revisões e movimentações internas e externas. É possível se manter na mesma posição (cargo), no mesmo lugar (empresa/negócio), mas perceber que precisa atuar de uma outra forma, em outros momentos, pode-se desejar agregar um novo papel profissional, mantendo o que já existe e/ou fazer realmente uma transição de carreira.

O convite de desenvolvimento aqui é a transformação e o se deixar ser transformado, permitindo-se ser guiado pelo rio da vida, talvez mudando a pergunta “o que eu quero da vida?” para “o que a vida quer de mim?” e a partir disto deixar emerir o novo, seja através de novas habilidades e/ou novos caminhos na carreira e na vida.

Gudrun, explicita algumas perguntas sentidas neste setênio:

“Quem sou eu, de fato? Quais são minhas potencialidades? Quais são meus valores? Quais são meus limites?” (Burkhard, 2010, p. 112).

“O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão estar sempre mudando”. Guimarães Rosa

Burkhard, G. B. (2010). Tomar a vida nas próprias mãos: como trabalhar na própria biografia o conhecimento das leis gerais do desenvolvimento humano. (4ª ed.). São Paulo: Antroposófica.

Andressa Pereira Miiashiro

Psicoterapeuta, orientadora de carreira e vocacional.

Tentante

Já fui tentante por muitos anos, mas fui realmente me dar conta do termo “tentante”, quando ouvi outra mulher se apresentar, como tal, para mim refletiu como um espelho.

Podemos tentar muitas coisas na vida, mas aqui estou falando especificamente, de quem está tentando engravidar, seja de forma natural e/ou por algum tipo de tratamento como inseminação, fertilização, entre outros…

Conversando com mulheres, fui percebendo o quanto hoje em dia é um tema tão atual, mas pouco falado e vivido de forma muito solitária. Há um grande silenciamento, às vezes, até como forma de proteção, para não se sentir cobrada/pressionada, julgada…

Mas, ao mesmo tempo, saber que há por ex., um familiar, uma amizade que só diga, “estou aqui”, “estou te ouvindo”, possa tornar o processo um pouco mais leve e dar um respiro para continuar. Cada pessoa se sente cuidada de uma forma, mas o que quero dizer, é que sentir que há um espaço de partilha e acolhimento, saber que se pode contar com e para alguém, pode atender uma necessidade de compreensão, empatia e encorajamento.

Muito se fala em rede de apoio, quando a gestante está se aproximando do puerpério, mas coloco aqui a mesma importância, de ter esta rede. Estar em relação, é humano, sentir que não estamos sós, pode sim nos ajudar a viver aquilo nos desafia.

E pensando na parte humana que nos conecta, através das nossas histórias, compartilho um pouco de como foi a minha jornada.

Foram alguns anos como tentante, tive algumas perdas gestacionais e com cada uma posso dizer que pude acessar terapias, medicinas, conhecimentos que foram me guiando. Nossa, quanta gratidão, pois realmente me senti guiada por algo maior, dizendo vá por aqui, por ali, espera, vai!!!! A intuição e o silenciar foram muito importantes…

As minhas gestações se interrompiam por volta de 8 semanas. Na época, 2017, foi identificado algo relacionado a imunidade, mas sem um tratamento claro para tal situação.

Era só o começo…

Em algum momento, senti que precisava buscar outros caminhos, e então aos poucos, a cada ano, fui encontrando outras formas de cuidado, como a acupuntura, antroposofia, ayurveda, nutricionista e terapias diversas…

No meu caso, precisei mudar muito a minha alimentação, foi essencial! Em 2020 descobri que o glúten e lactose inflamavam muito o meu corpo e com isto, prejudicavam minha imunidade e logo o meu gestar.

Em novembro de 2021, fiz uma FIV, o qual não deu “certo”. Escrevo entre aspas porque hoje minha compreensão de certo e errado mudou muito também. A FIV não ter se encaminhado no plano físico, também foi importante para mais um aprendizado para mim.

Soltar, soltar, soltar e soltar. Um mantra que me acompanhou muito todo este tempo foi o “Entrego, confio, aceito e agradeço”. Hoje vejo o quanto foi essencial ter tido um cuidado integrado do físico, mental, emocional e espiritual.

Andressa Pereira Miiashiro.

Psicoterapeuta, orientadora de carreira e vocacional.

Saúde: corpo, mente e espírito

Primeiramente, convido você a se aquietar por alguns instantes e respirar fundo no seu tempo…

Vamos lá, a proposta deste artigo é pensarmos juntos sobre a importância da relação entre a autoconsciência e a nossa saúde. Quando falo em saúde, me refiro à integração no cuidado da corpo-mente-espírito.  Sim, um está conectado ao outro.

A forma como pensamos e sentimos cria nosso jeito de Ser, o que norteia a forma como agimos e como lidamos com a vida. Podemos, então, através dos pensamentos e sentimentos, vivenciar o bem-estar que é expresso diretamente em nosso corpo-mente.

É maravilhoso quando cuidamos do nosso corpo físico, através da alimentação, atividades físicas, e é ainda mais poderoso quando cuidamos também do mundo interno, pois assim entramos em um estado de coerência, em que conseguimos cultivar hábitos saudáveis de forma integral.

O autoconhecimento contribui para que perceba o que lhe faz bem, regenera e traz vitalidade, bem como aquilo que desgasta e traz mal-estar. Trata-se de um convite para realmente se perceber, sair do automatismo, a fim de que você encontre genuinamente seu estado de equilíbrio em todas as esferas do seu Ser.

Que esferas são essas, não é?! Físico, mental, emocional, relacional e espiritual.

Físico: aqui podemos olhar para como estamos cuidando da alimentação, atividade física, sono e ritmo. Cuidar do equilíbrio entre movimento e pausa é uma forma de cuidar do nosso ritmo, restaura e traz vitalidade.

Mental: tem a ver com o que pensamos e no que acreditamos, formando crenças e padrões que vão dar o tom como percebemos a vida. Podemos ter pensamentos tônicos, que nos trazem saúde e vitalidade, bem como pensamentos tóxicos, que nos enfraquecem.

Emocional: são os nossos sentimentos e emoções. Nossa dimensão do sentir impacta nosso corpo e nossa imunidade. Sentimentos como por exemplo, gratidão, apreciação, compaixão e amor contribuem em nosso processo de regeneração e fortalecimento. Cuidar do nosso emocional é essencial para o todo.

Relacional: relações interpessoais positivas e construtivas nos beneficiam com uma rede de apoio para momentos bons, em que podemos celebrar, e também para momentos difíceis, em que necessitamos de acolhimento e encorajamento para seguir adiante.

Espiritual: está relacionada às práticas e crenças que trazem significado e propósito de vida. Propicia paz, conforto, proteção, otimismo e esperança. Cada um cultivará sua espiritualidade da forma que lhe fizer sentido.

E você, como se percebe em relação à sua saúde desde o nível físico ao espiritual?

Encontrar e cuidar da própria fonte de saúde e bem-estar é vital, nos desvitalizamos e entristecemos quando nos afastamos da nossa natureza, daquilo que nos faz bem. Busque o lhe gera saúde, preste atenção no corpo e nos seus sentimentos, eles vão te guiar…

Andressa Pereira Miiashiro.

Psicoterapeuta, orientadora de carreira e vocacional.

Autocompaixão como caminho do meio

Autocompaixão como caminho do meio

Vejo a autocompaixão como um caminho a ser trilhado, que pode trazer muito mais leveza, bem-estar e saúde em todas as dimensões.

Até descobrir a autocompaixão, eu conhecia só um caminho, o da autocrítica. Você deve estar se perguntando: e isso não é bom? Muitos de nós aprendemos que essa capacidade de nos cobrar e de nos exigir é extremamente importante para sempre buscarmos nos aprimorar.

A questão é: qual é o tom dessa voz interna? Qual é a frequência que aparece em sua mente?

Parece que, algumas vezes, essa voz da autocrítica “perde um pouco a mão”. Grita ao invés de falar, usa palavras não tão boas, que chegam a machucar, e repete as mesmas coisas diariamente, como uma ruminação mental que não tem fim.

Diante de algum erro ou um desafio, às vezes ou muitas vezes, essa voz interna diz:

“Você não está preparado (a)”, “você nem é tão bom assim”, “você nunca acerta”, “você é um fracassado (a)”.

Aparentemente, ela começa com boas intenções, apontando o que necessita ser aprimorado, mas o excesso de autocrítica pode ganhar um tom hostil, duro e repetitivo, criando medo, insegurança e muita frustração.

A autocompaixão, por sua vez, possibilita um equilíbrio, o caminho do meio!

Há o reconhecimento da falha, da fraqueza e da dor através de uma voz interna cuidadosa e gentil, que fortalece o cultivo da autoestima, uma vez que a relação consigo mesmo é estabelecida por meio de compreensão e respeito, e não mais de autocondenação. Dessa forma, o diálogo interno duro e cruel é substituído pelo acolhimento, que oferece espaço para ser compreensivo com o que está vivendo e pensar com mais clareza no que pode ser feito dali em diante.

A autocompaixão envolve três componentes importantes: a autobondade, o reconhecimento da experiência humana comum e a atenção plena.

A autobondade busca dissolver pensamentos depreciativos, que muitas vezes causam insegurança e frustração, a partir de uma relação mais saudável consigo. Não tem a ver com vitimização e sim autoempatia. Há a identificação do problema, mas sem que a pessoa se condene ou se maltrate.

O reconhecimento da experiência humana comum nos traz à lembrança que “errar é humano” e que somos todos falíveis, o que permite abrirmo-nos à nossa própria vulnerabilidade e à do outro. Gerando, dessa forma, um senso de pertencimento e de conexão humana.

Atenção plena é ter consciência da consciência. O estado de presença propicia a visão clara e a aceitação do que está ocorrendo no aqui e agora. Consiste em ver as coisas tal como são, nem mais, nem menos, a fim de agirmos frente às situações da vida de forma compassiva e, portanto, eficaz.

Enfim, a autocompaixão não nega o sofrimento e os erros. Reconhece-os com a devida clareza, sem negligenciá-los, tendo em vista que emoções suprimidas tendem a ficar mais fortes, mesmo que silenciosamente. Trata-se de um ato de autocuidado, que ajuda a lidar com sentimentos de imperfeição e inadequação por meio da gentileza, da compreensão e da não violência para consigo.

Sinto este texto de Kristin Neff como uma possibilidade de ouvirmos a nós mesmos, sentirmos o que sentimos e nos acolhermos:

“Este é um momento de sofrimento.

O sofrimento faz parte da vida.

Posso ser gentil comigo agora.

Posso me oferecer a compaixão de que preciso”

Extraído do livro: “Autocompaixão: Pare de se torturar e deixe a insegurança para trás

Andressa Pereira Miiashiro.

Psicoterapeuta, orientadora de carreira e vocacional.

Artigo publicado no Blog Antroposofia ZN em 04.09.19

Despertar e o aqui-agora

O que é estar no aqui-agora?

Acredito que é estar em estado de presença, acolhendo o que o momento traz e relacionando-se com o que se apresenta naquele instante. A questão é que muitas vezes estamos de corpo no presente, mas respondendo ao mundo como se estivéssemos presos a emaranhados do passado ou expectativas do futuro.

Podemos, assim, deixar de contemplar novos caminhos, possibilidades não pensadas que estão se manifestando ali na nossa frente, mas que não conseguimos enxergar por estarmos com a mente e o coração em outro lugar.

Creio que o universo pode ser ainda mais criativo do que nós mesmos. Ele pode nos surpreender trazendo novas formas, não necessariamente como havíamos programado e imaginado, mas talvez de um outro jeito, que pode ser ainda mais encantador.

A vida nos oferece muitos presentes, se permitirmos, nos dá sinais, brinca conosco através das sincronicidades e vai nos dando pistas, dizendo: vá por ali!

Para trilhar junto com o fluxo da vida é precioso despertar a fé, a intuição e a entrega, aprendendo a ouvir aquela voz interna, que não é necessariamente a da razão, dos padrões, e sim aquela que vai dizer o que é importante para a sua jornada, aquela que aquece o coração e alimenta a alma.

Assim o caminho vai se revelando durante a caminhada…

E enquanto, aos poucos, aceitamos a impermanência da vida, compreendendo que não temos o controle de tudo ou quase nada, vamos despertando para o agora e para o sentir que mora no presente.

Quando sentimos e agimos de dentro para fora, a partir da nossa sabedoria interna, nos abrimos para o que é essencial, para aquilo que toca o coração, nos libertando para Ser o que viemos Ser.

Convido, agora, a querida Tatiane Guedes para finalizarmos a partilha de hoje.

“O chão que se vai é justamente aquele que precisa ruir, pois essa base não sustentará o crescimento que está por vir.

Essa rachadura que sentes bem no centro de seu peito é justamente aquela que fará brilhar a luz em ti que teima em sair.

Aceite,
O agora é tudo o que há.

Não resista,
Atravesse esse portal que está a chegar.

Confia,
Você não está só nem nunca estará.

Lembre-se,
Aquilo que Realmente És permanece intacto em ti a cada respirar.”

Andressa Pereira Miiashiro.

Psicoterapeuta, orientadora de carreira e vocacional.

Artigo publicado no Blog Antroposofia ZN em 10.08.19

A Caminhada – 6º Setênio (35- 42 anos)

Estamos no sexto setênio, marcado pelo período entre os 35 e 42 anos.

O arquétipo desse setênio é o cavaleiro que anda ao lado do seu cavalo, demonstrando mais equilíbrio entre a razão e a emoção. A caminhada agora permite olharmos para uma parte da história já vivida.

Contemplamos o passado buscando identificar aprendizados para o presente e o futuro. Entramos em contato com a nossa bagagem interna e, com isso, uma nova pergunta emerge:

O que eu deixo e o que eu levo para a minha jornada daqui para frente?

Pensando que a vida é uma grande viagem, nesse momento estamos como andarilhos. Esse período nos convida para uma parada, a fim de sentirmos o que queremos de agora em diante.

Esse querer tem a ver com algo muito profundo em nós. Sim, é a nossa essência pulsando, querendo buscar o que realmente faz sentido, transcendendo os “tem que”, as escolhas, os papéis que foram construídos, seguidos e mantidos durante a vida e que talvez não nos caibam mais.

Cresce uma necessidade de viver de forma coerente com o que se acredita internamente. Questões existenciais se intensificam, uma vez que, após passarmos por algumas fases com mais foco no externo e no Ter, nosso Ser pede por mais espaço dentro de nós, para nos guiar até o nosso propósito.

Por volta dos 37 anos, a nossa missão de vida vai ganhando ainda mais clareza e potência. É comum que haja rupturas nesse período, seja na esfera pessoal, seja na profissional, já que aquilo que fez sentido até o momento, talvez já não faça mais. Por outro lado, devido a um caminho já construído, a resistência a novos desafios pode surgir.

Poderemos então fluir ou resistir, mas certamente, nesse setênio, seremos levados a olhar e a ouvir o que está dentro. Certos incômodos podem surgir, já que esse mergulho interno exige coragem, ou seja, agir com o coração para seguir uma nova trilha interna e/ou externa, norteada por novos valores.

Pode-se vivenciar durante este setênio a “crise de autenticidade”, processo que ganhará mais força aos 42 anos. Se olharmos a crise como um ponto de transição e desenvolvimento, há aqui um grande desejo de liberdade, autenticidade em relação a si mesmo e às próprias escolhas.

Jung diz: “Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos.”

Essa fala reforça, para mim, o quanto o autoconhecimento vai se tornando cada vez mais necessário para vivermos em conexão com quem genuinamente somos.

Andressa Pereira Miiashiro.

Psicoterapeuta, orientadora de carreira e vocacional.

*Artigo publicado no Blog da Antroposofia ZN em Abril de 2019.

A fase racional e a carreira – 5º Setênio (28- 35 anos)

O 5º setênio é marcado pelo período dos 28 aos 35 anos.

As emoções já não nos assolam tanto com atos impulsivos, como no setênio anterior, representado pelo arquétipo do centauro. Nesse setênio, o centauro se transforma em um cavaleiro, comandando mais as rédeas de suas emoções.

A razão começa a dominar mais os impulsos, agora é possível ponderar melhor as tomadas de decisões. O desafio aqui é desenvolver tolerância e interesse pelos outros, ao mesmo tempo em que se vive o auge da ambição, do desejo por status e prestígio, conciliando assim a busca do próprio espaço com o respeito ao espaço do outro.

Estamos em uma fase da vida que, para muitos, é permeada por realizações e conquistas. As competências de organização e planejamento estão bem fortalecidas e poderão contribuir muito para galgar novas posições na carreira.

O gerenciamento de pessoas, contudo, ainda demanda algumas lapidações, já que a segurança interior possui forte alicerce no conhecimento técnico, o que gera um conflito entre delegar responsabilidades reais ou apenas tarefas, de forma a, até de maneira inconsciente, manter o controle para si.

Há um grande espaço para transcender a posição daquele que conquista resultados a partir das próprias ideias, em direção à abertura ao outro através da escuta, propiciando, na condição de líder, espaços mais participativos, com soluções construídas e não impostas.

O Autodesenvolvimento

Com o amadurecimento das habilidades sociais, o profissional começa a envolver mais as pessoas em seus processos decisórios. Saber como falar, ouvir genuinamente, perceber o que está por trás e nas entrelinhas das situações fazem parte do autodesenvolvimento desta fase.

Inicia-se também a diferenciação entre Ter e Ser. Sendo a dimensão do Ter mais voltada para status, prestígio, construção e aquisição de “coisas”, a dimensão do Ser é mais ligada ao sutil, à espiritualidade e à qualidade das relações consigo e com o outro. Conquistar o equilíbrio entre essas duas dimensões propicia ao indivíduo uma atuação mais congruente e decisões mais sustentáveis.

O caminho pela busca do autoconhecimento começa a ficar mais forte. Emerge um desejo maior de compreender, por exemplo:

Por que reajo de determinada maneira diante das situações?

Qual meu papel nos espaços em que estou inserido?

Quais são meus valores?

Aproximadamente dos 30 aos 33 anos, vivenciamos uma intensa revisão interna, um convite a reconhecer o que precisa ser deixado para que um novo possa surgir. É comum nesse período experimentarmos eventos marcantes que nos fazem olhar a vida com mais profundidade e através de uma lente mais sutil.

Andressa Pereira Miiashiro.

Psicoterapeuta, orientadora de carreira e vocacional.

*Artigo publicado no Blog da Antroposofia ZN em Janeiro de 2019.

A fase das emoções e a carreira 4º Setênio (21- 28 anos)

A Antroposofia é uma ciência que estuda a natureza do ser humano com um olhar integrativo. Compartilho artigos em que falo das tendências das questões humanas vividas dos 21 anos em diante.

O quarto setênio refere-se ao período dos 21 aos 28 anos. É a fase da experimentação, oportunidade de sentir o que atrai profissionalmente. É o momento também em que o jovem ingressa inteiramente no mundo dos adultos, assumindo mais responsabilidades e escolhas.

O centauro é o arquétipo trazido pelos gregos para representar esse ciclo, o símbolo metade homem e metade cavalo, evidencia simbolicamente a necessidade de aprendizagem das emoções.

Há aqui energia, vitalidade, conhecimentos adquiridos através de leituras, cursos, faculdade e um grande espaço para a prática de habilidades técnicas. Por outro lado, o domínio do conteúdo técnico não é suficiente por si só, há o desafio de equilibrar os altos e baixos das emoções, gerados por uma instabilidade emocional que precisa ser cuidada.

Enxergo que a importância da inteligência emocional é ainda maior atualmente, considerando que cada vez mais cedo jovens estão empreendendo e assumindo posições que lhes demandam mais e mais, em seus próprios negócios, empresas tradicionais e startups.

Ter projetos com resultados mensuráveis contribui para que o jovem se aproprie de seu desempenho, em um processo que ganha ainda mais potência com o apoio de outro profissional que possa lhe oferecer orientações técnicas e comportamentais.

É comum sentir insegurança e uma maior fragilidade diante de críticas, em razão disso feedbacks conduzidos com assertividade por meio de uma comunicação não violenta contribuem para dar mais clareza ao profissional, trazendo, de forma gradativa, mais segurança interna.

O feedback é uma forma importante de comunicar os acertos e as melhorias em todas as fases, mas especialmente no quarto setênio, pois traz um norte, uma referência de que caminho seguir, como uma bússola para um viajante que necessita de direção.

O final desse setênio é marcado por uma crise interior, chamada de crise dos talentos, a qual cada um vivenciará com uma intensidade e de uma forma. Essa crise vem como uma oportunidade de olhar para os talentos com mais consciência através da pergunta:

O que eu faço com os meus talentos daqui para frente?

Em cada fase da vida, vivenciamos uma grande questão. Esta é a que permeia os 28 anos.

Minha crise dos talentos aconteceu enquanto eu trabalhava como funcionária no meio organizacional. Comecei a sentir uma grande insatisfação, pois tinha a percepção de que minha inquietação não se resolveria indo para uma nova empresa. Era algo mais profundo, eu precisava me reencontrar, relembrar por que eu havia escolhido psicologia como formação, quais talentos eu tinha e como poderia usá-los, talvez de uma nova forma. Foi um momento de dúvida e que bom que eu vivi essa crise, pois ela me permitiu fazer novas escolhas na minha carreira.

Para fechar este texto, gostaria de compartilhar uma parábola que descreve muito bem a importância dos talentos.

“Um senhor tinha três servos, aos quais deu dez talentos (moedas de prata); dez para cada um. O primeiro esbanjou o dinheiro; o segundo enterrou o dinheiro; e o terceiro o aplicou. Após um ano, os três voltaram ao senhor: o primeiro, de mãos vazias; o segundo desenterrou o dinheiro e voltou com a mesma quantia; e o terceiro, que aplicou o dinheiro, voltou com uma quantia bem maior.”

E você, como está aplicando seus talentos?

Andressa Pereira Miiashiro.

Psicoterapeuta, orientadora de carreira e vocacional.

*Artigo publicado no Blog da Antroposofia ZN em Dezembro de 2018.

O que é Psicodrama?

Compartilho entrevista que concedi à  Revista Coaching Brasil, sobre Psicodrama  e sua correlação com o Coaching.

Jacob Levy Moreno foi o criador do psicodrama, e esta abordagem traz uma visão de homem que eu aprecio muito. Moreno enxergava o Ser como aquele que se constrói na relação com o outro e através da ação.

Atuamos no mundo através dos papeis, como o papel de coach, professor, mãe, pai, entre outros, ressalto que a teoria de papeis é algo essencial para o psicodrama, pois os papeis que desempenhamos na vida constituem o nosso EU.

Outro ponto central na teoria moreniana, é o conceito de espontaneidade e criatividade, vejo isto no coaching como algo fundante, pois Ser espontâneo é dar uma resposta adequada a uma determinada situação, e adequado é trazer algo congruente para o meu Eu e para o meio que estou inserido. E quando nos conectamos com esta congruência, resgatamos e fortalecemos o melhor que há em nós, e assim acessamos nosso potencial criativo

“A espontaneidade opera no presente, isto é, aqui e agora; ela impulsiona o indivíduo na direção de uma resposta adequada a uma nova situação, ou a uma nova resposta a uma velha situação”. Moreno

Assista o vídeo na integra.

https://www.youtube.com/watch?v=IrMuc6cSJFo