Sim, eu também já passei por assédio moral!
Para mim em um primeiro momento, foi como uma dor não aceita, como se eu tentasse me convencer, “isto não é nada, deixa para lá é só o jeito da pessoa”, pois era exatamente isto que eu ouvia dos meus colegas mais próximos.
Por mais, que eu me esforçasse a não admitir o que estava acontecendo, a dor aumentava e com isto, o medo , insegurança, começaram afetar minhas relações, meu desempenho e pouco a pouco a minha saúde, dormir já não era mais fácil como antes e o coração parecia acelerar mais do que o normal.
O assédio moral, é uma forma de violência, nos sentimos feridos pois é uma agressão a nossa dignidade, entrar em contato e aceitar o que sentimos, pode ser um dos primeiros passos de acolhimento diante da situação.
A não violência, por sua vez, vem do sânscrito ahimṣā, o que significa ausência de desejo de ferir, é a prática pessoal de não causar sofrimento a si próprio ou a outros seres sob qualquer circunstância. Norteia-se fundamentalmente pelo princípio de integridade e respeito à condição humana.
A não violência compreende que o fim é consequência dos meios, uma releitura de “o fim justifica os meios”. Hoje percebemos o alcance de resultados muitas vezes não sustentáveis, principalmente quanto a saúde emocional das pessoas. Estratégias para atingimento de metas, carregadas por desrespeito, discriminação, raiva, exclusão certamente não contribuirão para um fim que considere a dimensão humana.
A CNV
A comunicação não violenta (CNV), também conhecida como comunicação empática, nos faz lembrar da nossa humanidade, como uma forma de equilíbrio para a conquista de resultados integrando a esfera emocional e relacional. Marshall Rosenberg, define a abordagem em “habilidades de linguagem e comunicação que fortalecem a capacidade de continuarmos humanos, mesmo em condições adversas”. Ou seja, um modo de diálogo que transcenda a polarização da passividade e agressividade, e encontre o caminho do meio, através da autoempatia, escuta ativa e expressão autêntica.
Olga Botcharova, explica que o ciclo da violência se quebra quando há a consciência, aceitação e expressão da dor. A autoempatia, pode contribuir primeiramente como uma ação de autocuidado, ajudando a nos conectar com os sentimentos e necessidades que foram feridos em uma situação de agressão, considerando também a possibilidade de empatia com o agressor, ficando a questão, por que ele (a) faz o que faz?
A escuta e expressão autêntica, intencionam a partilha de sentimentos, necessidades e pedidos, numa linguagem que mantenha o respeito, para consigo e para com o outro, de maneira que cuide do segundo princípio da não violência, a sarvodaya que significa “bem comum”, como um caminho a ser trilhado por meio de novas formas de relações que cuide do bem estar de todos.
“Quando sinto que fui ouvido e escutado, consigo perceber meu mundo de maneira nova e ir em frente” Carl Rogers
Andressa Pereira Miiashiro.
Psicoterapeuta, orientadora de carreira e vocacional.
Artigo publicado pela Fenag – Federação Nacional das Associações dos Gestores da Caixa Econômica Federal em 05.10.10
https://www.fenag.org.br/noticias/366-pela-nao-violencia-nas-organizacoes