A fase das emoções e a carreira 4º Setênio (21- 28 anos)

A Antroposofia é uma ciência que estuda a natureza do ser humano com um olhar integrativo. Compartilho artigos em que falo das tendências das questões humanas vividas dos 21 anos em diante.

O quarto setênio refere-se ao período dos 21 aos 28 anos. É a fase da experimentação, oportunidade de sentir o que atrai profissionalmente. É o momento também em que o jovem ingressa inteiramente no mundo dos adultos, assumindo mais responsabilidades e escolhas.

O centauro é o arquétipo trazido pelos gregos para representar esse ciclo, o símbolo metade homem e metade cavalo, evidencia simbolicamente a necessidade de aprendizagem das emoções.

Há aqui energia, vitalidade, conhecimentos adquiridos através de leituras, cursos, faculdade e um grande espaço para a prática de habilidades técnicas. Por outro lado, o domínio do conteúdo técnico não é suficiente por si só, há o desafio de equilibrar os altos e baixos das emoções, gerados por uma instabilidade emocional que precisa ser cuidada.

Enxergo que a importância da inteligência emocional é ainda maior atualmente, considerando que cada vez mais cedo jovens estão empreendendo e assumindo posições que lhes demandam mais e mais, em seus próprios negócios, empresas tradicionais e startups.

Ter projetos com resultados mensuráveis contribui para que o jovem se aproprie de seu desempenho, em um processo que ganha ainda mais potência com o apoio de outro profissional que possa lhe oferecer orientações técnicas e comportamentais.

É comum sentir insegurança e uma maior fragilidade diante de críticas, em razão disso feedbacks conduzidos com assertividade por meio de uma comunicação não violenta contribuem para dar mais clareza ao profissional, trazendo, de forma gradativa, mais segurança interna.

O feedback é uma forma importante de comunicar os acertos e as melhorias em todas as fases, mas especialmente no quarto setênio, pois traz um norte, uma referência de que caminho seguir, como uma bússola para um viajante que necessita de direção.

O final desse setênio é marcado por uma crise interior, chamada de crise dos talentos, a qual cada um vivenciará com uma intensidade e de uma forma. Essa crise vem como uma oportunidade de olhar para os talentos com mais consciência através da pergunta:

O que eu faço com os meus talentos daqui para frente?

Em cada fase da vida, vivenciamos uma grande questão. Esta é a que permeia os 28 anos.

Minha crise dos talentos aconteceu enquanto eu trabalhava como funcionária no meio organizacional. Comecei a sentir uma grande insatisfação, pois tinha a percepção de que minha inquietação não se resolveria indo para uma nova empresa. Era algo mais profundo, eu precisava me reencontrar, relembrar por que eu havia escolhido psicologia como formação, quais talentos eu tinha e como poderia usá-los, talvez de uma nova forma. Foi um momento de dúvida e que bom que eu vivi essa crise, pois ela me permitiu fazer novas escolhas na minha carreira.

Para fechar este texto, gostaria de compartilhar uma parábola que descreve muito bem a importância dos talentos.

“Um senhor tinha três servos, aos quais deu dez talentos (moedas de prata); dez para cada um. O primeiro esbanjou o dinheiro; o segundo enterrou o dinheiro; e o terceiro o aplicou. Após um ano, os três voltaram ao senhor: o primeiro, de mãos vazias; o segundo desenterrou o dinheiro e voltou com a mesma quantia; e o terceiro, que aplicou o dinheiro, voltou com uma quantia bem maior.”

E você, como está aplicando seus talentos?

Andressa Pereira Miiashiro.

Psicoterapeuta, orientadora de carreira e vocacional.

*Artigo publicado no Blog da Antroposofia ZN em Dezembro de 2018.

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