Tentante
Já fui tentante por muitos anos, mas fui realmente me dar conta do termo “tentante”, quando ouvi outra mulher se apresentar, como tal, para mim refletiu como um espelho.
Podemos tentar muitas coisas na vida, mas aqui estou falando especificamente, de quem está tentando engravidar, seja de forma natural e/ou por algum tipo de tratamento como inseminação, fertilização, entre outros…
Conversando com mulheres, fui percebendo o quanto hoje em dia é um tema tão atual, mas pouco falado e vivido de forma muito solitária. Há um grande silenciamento, às vezes, até como forma de proteção, para não se sentir cobrada/pressionada, julgada…
Mas, ao mesmo tempo, saber que há por ex., um familiar, uma amizade que só diga, “estou aqui”, “estou te ouvindo”, possa tornar o processo um pouco mais leve e dar um respiro para continuar. Cada pessoa se sente cuidada de uma forma, mas o que quero dizer, é que sentir que há um espaço de partilha e acolhimento, saber que se pode contar com e para alguém, pode atender uma necessidade de compreensão, empatia e encorajamento.
Muito se fala em rede de apoio, quando a gestante está se aproximando do puerpério, mas coloco aqui a mesma importância, de ter esta rede. Estar em relação, é humano, sentir que não estamos sós, pode sim nos ajudar a viver aquilo nos desafia.
E pensando na parte humana que nos conecta, através das nossas histórias, compartilho um pouco de como foi a minha jornada.
Foram alguns anos como tentante, tive algumas perdas gestacionais e com cada uma posso dizer que pude acessar terapias, medicinas, conhecimentos que foram me guiando. Nossa, quanta gratidão, pois realmente me senti guiada por algo maior, dizendo vá por aqui, por ali, espera, vai!!!! A intuição e o silenciar foram muito importantes…
As minhas gestações se interrompiam por volta de 8 semanas. Na época, 2017, foi identificado algo relacionado a imunidade, mas sem um tratamento claro para tal situação.
Era só o começo…
Em algum momento, senti que precisava buscar outros caminhos, e então aos poucos, a cada ano, fui encontrando outras formas de cuidado, como a acupuntura, antroposofia, ayurveda, nutricionista e terapias diversas…
No meu caso, precisei mudar muito a minha alimentação, foi essencial! Em 2020 descobri que o glúten e lactose inflamavam muito o meu corpo e com isto, prejudicavam minha imunidade e logo o meu gestar.
Em novembro de 2021, fiz uma FIV, o qual não deu “certo”. Escrevo entre aspas porque hoje minha compreensão de certo e errado mudou muito também. A FIV não ter se encaminhado no plano físico, também foi importante para mais um aprendizado para mim.
Soltar, soltar, soltar e soltar. Um mantra que me acompanhou muito todo este tempo foi o “Entrego, confio, aceito e agradeço”. Hoje vejo o quanto foi essencial ter tido um cuidado integrado do físico, mental, emocional e espiritual.
Andressa Pereira Miiashiro.
Psicoterapeuta, orientadora de carreira e vocacional.




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